Todo ano, em julho, uma parte do Brasil vai para Gramado esperando neve. E todo ano, em julho, não neva em Gramado. A temperatura cai para 3, 4 graus à noite — o que já é extraordinário para padrões brasileiros — mas neve de verdade acontece raramente, e quando acontece é uma fina camada que dura horas.

Fui para Gramado em julho sem esperar neve. Fui pelo frio, pelo fondue, pela arquitetura europeia que parece cenário de filme e pela sensação estranha de estar no Brasil e não reconhecer nada ao redor.

O que Gramado tem de verdade

Gramado é uma cidade que funciona bem como destino turístico porque foi construída para isso. As ruas são limpas, os restaurantes são bons, as pousadas têm lareira e café da manhã farto. Não é autêntico no sentido de "cidade que não sabe que é turística" — Gramado sabe muito bem o que é. Mas faz bem o que se propõe a fazer.

O centro histórico, com suas casas de madeira e pedra, os jardins bem cuidados e as lojas de chocolate artesanal, tem um charme que resiste mesmo à comercialização. Caminhei pela Rua Coberta às 8h da manhã, antes de qualquer loja abrir, com neblina baixa e temperatura de 5 graus, e foi um dos momentos mais bonitos da viagem.

Onde comer sem gastar absurdo

Gramado tem restaurantes caros. Mas tem também opções muito boas em preços razoáveis, se você sair do circuito turístico principal. A Cantina da Nona, a dois quarteirões da Rua Coberta, serve um fondue de queijo para dois por R$ 85 — metade do preço dos restaurantes na rua principal, e melhor.

"Gramado tem dois preços: o do turista que não pesquisou e o de quem perguntou para o dono da pousada onde ele come." — Beatriz Sampaio, GoodBR
Dica prática

Sempre pergunte ao dono ou funcionário da sua pousada onde eles comem. Em Gramado, como em qualquer cidade turística, os melhores lugares não ficam na rua principal e não têm placa luminosa.

Canela: o que fica a 7 km e vale mais

Canela, cidade vizinha, é frequentemente subestimada por quem vai a Gramado. Tem menos infraestrutura turística, mas tem a Cascata do Caracol — uma queda d'água de 131 metros que é genuinamente impressionante — e o Parque do Caracol, com trilhas bem mantidas e vista para o Vale do Quilombo.

Fui a Canela em dois dos sete dias e voltei com a sensação de que, se tivesse que escolher entre as duas cidades, ficaria em Canela. Mais tranquila, preços menores, mesma paisagem.

Vale a pena em julho?

Sim, mas com expectativas corretas. Julho em Gramado é frio, bonito e movimentado — mas não tanto quanto agosto, quando o Festival de Cinema lota a cidade. Os preços são altos, mas negociáveis nas pousadas menores. E a neve, se vier, é bônus. Se não vier — e provavelmente não vai — o frio e a cidade já justificam a viagem.